segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

“Os amantes vivem à beira do abismo”

No teatro, lembrou daquela conversa.

Ela ainda não sabia, mas era paixão o que começava a brotar dentro do peito. Um misto de curiosidade, vingança e interesse. Como ela nunca tinha olhado para aqueles olhos? O imã que abriga o proibido.

Como adolescentes, eles passaram 40 minutos no telefone numa noite de domingo. Até então, eram apenas e-mails cheios de pretextos. Ele tinha acabado de voltar da praia. Ela tinha acabado de se despedir das pessoas que deixavam sua casa.

Foi num impulso que ela disse. E explicou que tudo aquilo era como estar no alto de uma enorme cachoeira, olhando para baixo, tomando coragem para pular. Existia certo perigo, mas ela estava morrendo de vontade de se jogar.

Valia à pena se entregar ao medo, desistir e nunca saber como teria sido experimentar aquela sensação?

Ele disse que sentia o mesmo. Ela entendeu como exatamente o mesmo.

Dias depois, ela pulou. Sem saber o que buscava nem o que iria encontrar.


Preste atenção querida

De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Uma alma lavada e um novo teto para uma família

Com certeza vai ser difícil expressar em palavras tudo o que eu senti ao fazer esse trabalho.

Foi no feriado do dia 20/11, da Consciência Negra. Eu, e mais uns 200 voluntários da ONG "Um Teto Para Meu País", fomos às favelas de regiões próximas à cidade de São Paulo, construir casas emergenciais para 20 famílias.
A comunidade que eu fui chama Jardim Maitê, em Suzano, e a família era a da Marina, onde moram ela, o marido, cinco filhos entre 15 e 4 anos, e mais dois na barriga, que chegam por aí em Maio.

Fomos de ônibus, dormimos em uma escola, dentro das salas de aula, em sleeping bags, ou colchões infláveis. Acordávamos as 7h da manhã, e íamos dormir só depois da meia-noite. Trabalhamos embaixo de sol, de chuva, muita chuva, na lama, no esgoto a céu aberto, martelamos pregos, subimos pisos, paredes e telhados. Ficamos incrivelmente cansados, mas isso apenas fisicamente.

As pessoas da comunidade colaborando muito, ajudando na mão-de-obra, na companhia, nas brincadeiras, e as crianças a deixar o ambiente mais atrapalhado, mais divertido, e muito mais prezeroso. foram três dias de trabalho pesado, mas que na hora da inauguração da casa, de ver a alegria nos olhos daquela guerreira mãe de família, e daquelas crianças valeu todo o esforço.

Quinze dias depois voltamos lá. Todos os voluntários reunidos. E foi aí que caiu a ficha do quão grandioso foi o nosso trabalho. Uma casinha simples, com móveis mais simples ainda, mas com vida. Uma família que agora pode dormir sossegada sabendo que não vão entrar ratos e outros bichos dentro de casa, que se chover eles estarão protegidos, assim como seus bens, que nos dias de frio terão um abrigo, e nos dias de calor também.

E ganhar um abraço das crianças, um sorriso no rosto, e um presente, não tem preço. A família ganhou um teto, e nós, voluntários, ganhamos um pedacinho daquela família, um tapa a cara da realidade, e um sentimento inexplicável para o resto da vida.

Quem quiser saber como fazer isso também, só clicar no site da ONG!!